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O que é Liturgia?
    Liturgia não é apenas uma encenação da vida, paixão, morte e ressurreição de um tal de Jesus de Nazaré. Liturgia não é cerimônia, nem folclore muito menos patrimônio cultural da sociedade.
    Sempre iniciamos as nossas celebrações com o sinal-da-cruz, pois na Liturgia o Pai realiza o "mistério de sua vontade" entregando seu Filho bem-amado e seu Espírito para a salvação do mundo e para a glória de seu nome.
    No Egito, na antiguidade, Deus passou no meio do povo e libertou-o. Há dois mil anos, Deus se fez homem em Jesus Cristo que pregou definitivamente consigo na cruz todos nossos pecados e nos libertou da morte.
    Deus passa no meio de nós pela liturgia. Páscoa significa passagem. Liturgia é Páscoa!
    A palavra "liturgia" significa originalmente "obra pública", "serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição cristã, ele quer significar que o povo de Deus torna parte na "obra de Deus". Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção.

A Liturgia: Obra da Santissíma Trindade


    Na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como a fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com as quais nos abençoou em seu Filho, para dar-nos o Espírito da adoção filial."
    A obra de Cristo na liturgia é sacramental porque seu mistério de salvação se torna presente nela mediante o poder de seu Espírito Santo; porque seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; porque por meio de suas ações litúrgicas a Igreja peregrina já participa, por antecipação, da liturgia celeste."
    A missão do Espírito Santo na liturgia da Igreja é preparar a assembléia para encontrar-se com Cristo; recordar e manifestar Cristo à fé da assembléia; tornar presente e atualizar a obra salvífica de Cristo por seu poder transformador e fazer frutificar o dom da comunhão na Igreja."
    A Missa é uma reunião da grande família de Deus, que agradece e louva ao Senhor, pede perdão por seus pecados e se alimenta com o corpo de Jesus, que nos revigora e dá forças ao Espírito para levarmos avante a nossa missão de católicos.
    A Missa é dividida em partes: Entrada, Saudação, Ato Penitencial, Glória, Leituras, Homilia, Oração dos fiéis, Ofertório, Oração Eucarística, Pai Nosso, Oração pela Igreja, Saudação da Paz, Cordeiro de Deus, Comunhão, Ação de Graças e Despedida.

Esquema do Ano Litúrgico


    O Ano Litúrgico é o tempo que marca as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não é como o ano civil, que começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de dezembro, mas começa no 1º domingo do Advento (preparação para o Natal) e termina no último sábado do tempo comum, que é na véspera do 1º domingo do Advento.
 

Ciclo do Natal


Advento: Inicia-se o ano litúrgico.
Compõe-se de 4 semanas. Começa 4 domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. Não é um tempo de festas, mas de alegria moderada e preparação para receber Jesus.


Natal: 25 de dezembro.
É comemorado com alegria, pois é a festa do Nascimento do Salvador.


Epifania: E celebrada no domingo seguinte ao natal e dura 3 semanas.
É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. No ciclo de Natal também são celebradas as festas da Apresentação do Senhor no dia 02 de fevereiro, da Sagrada Família, de Santa Maria Mãe de Deus e do Batismo de Jesus.


 

Tempo Comum - Parte 1


   Começa após o batismo de Jesus e acaba na terça antes da quarta-feira de Cinzas.


 
Ciclo da Páscoa


Quaresma: Começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da semana santa.
Tempo forte de conversão e penitência, jejum, esmola e oração. É um tempo de 5 semanas em que nos preparamos para a Páscoa. Não se diz "Aleluia", nem se colocam flores na igreja, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Hino de Louvor. É um tempo de sacrifício e penitências, não de louvor.


Páscoa: Começa com a ceia do Senhor na quinta-feira santa e se estende até a Festa de Pentecostes.
Neste dia é celebrada a Instituição da Eucaristia e do sacerdote. Na sexta-feira celebra-se a paixão e morte de Jesus. É o único dia do ano que não tem missa. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Forma-se então o Tríduo Pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o Domingo da Ressurreição. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição.


Pentecostes:É celebrado 50 dias após a Páscoa.
Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito.


 

Tempo Comum - Parte 2

   Começa na segunda após Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1º Domingo do advento. Ao todo são 34 semanas. É um período sem grandes acontecimentos. É um tempo que nos mostra que Deus se fez presente nas coisas mais simples. É um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus. "O Tempo comum não é tempo vazio. É tempo de a Igreja continuar a obra de Cristo nas lutas e nos trabalhos pelo Reino.

Posições do Corpo

A religião assume o homem todo, como ele é: corpo e alma. A Graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa. Por isso, rezamos com o corpo também, dizendo palavras e fazendo gestos. A Missa é o louvor visível do Povo de Deus. Vejamos o significado dos gestos:


SENTADO: É uma posição cômoda que favorece a catequese, boa para a gente ouvir as Leituras, a homilia e meditar. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair.


DE PÉ: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito, tendo muita consideração pela pessoa que fala. Indica prontidão e disposição do "orante". A Bíblia diz: "Quando vos puserdes em pé para orar, (...)" (Mc 11,25). Falando dos bem-aventurados, João vê uma multidão, de vestes brancas, "de pé, diante do Cordeiro", que é Jesus (Ap 7,9).


DE JOELHOS: Posição comum diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e do vinho. Significa adoração a Deus. São Paulo diz: "Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra" (Fl 2,10). Rezar de joelhos é mais comum nas orações individuais. "Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se de joelhos para orar" (At 9,40)


GENUFLEXÃO: É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos se ali existe o sacrário. Também fazemos genuflexão diante do crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração. (Não é adoração à Cruz, mas a Jesus que nela foi pregado).


INCLINAÇÃO: Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito. É também adoração, diante do Santíssimo Sacramento. Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção solene.


MÃOS LEVANTADAS: É atitude dos "orantes". Significa súplica e entrega a Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: "Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem contendas" (1 Tm, 2,8)


MÃOS JUNTAS: Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de profunda piedade.


PROSTRAÇÃO: Gesto muito antigo, bem a gosto dos orientais. Estes se prostravam com o rosto na terra para orar. Assim fez Jesus no Horto das Oliveiras. Hoje essa atitude é própria de quem  se consagra a Deus, como na ordenação sacerdotal. Significa morrer para o mundo e nascer para Deus com uma vida nova e uma nova missão.


SILÊNCIO: O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. "O Senhor fala no silêncio do coração". É oportuno fazer silêncio depois das Leituras, da homilia e da Comunhão, para interiorizar o que o Senhor disse. Meditar é também uma forma de participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momento de silêncio seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.

 

Cores Litúrgicas


   As diferentes cores das vestes litúrgicas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico.No princípio havia certa preferência pelo branco. Não existiam ainda as chamadas "cores litúrgicas". Estas cores foram fixadas em Roma no século XII. Em pouco tempo os cristãos do mundo inteiro aderiram a este costume.


 
Branco
   Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas de Nossa Senhora e dos Santos, exceto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, pureza e alegria.
Vermelho
   Lembra o fogo do Espírito Santo. Por isso é a cor de Pentecostes. Lembra também o sangue. É a cor dos mártires e da sexta-feira da Paixão.
Verde
   Usa-se nos domingos do Tempo Comum e nos dias da semana. Está ligado ao crescimento, à esperança.
Roxo
   Usado no Advento e na Quaresma. É símbolo da penitência e da serenidade. Também pode ser usado nas missas dos defuntos e na confissão.
Preto
   É sinal de tristeza e luto. Hoje é pouco usado na liturgia.
Rosa
   O rosa pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e 4º domingo da Quaresma (Laetare).

Objetos litúrgicos
ALTAR:
Mesa onde se realiza a ceia Eucarística; ela representa o próprio Jesus na Liturgia.
CÁLICE:
Taça onde se coloca o vinho que vai ser consagrado.
PATENA:
Prato onde são colocadas as hóstias para a consagração
CORPORAL:
Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro; sobre ele é colocado o cálice, a patena e a âmbula para a consagração.
PALA:
Cobertura quadrangular para o cálice.
GALHETAS:
Recipientes onde se coloca a água e o vinho para serem usados na Celebração Eucarística.
CRUCIFIXO:
Fica sobre o altar ou acima dele, lembra a Ceia do Senhor é inseparável do seu Sacrifício Redentor.
LECIONÁRIOS:
Livros que contém as leituras da Missa. Lecionário ferial (leituras da semana); lecionário santoral (leitura dos santos), lecionário dominical (leituras do Domingo).
MANUSTÉRGIO:
Toalha usada para purificar as mãos antes, durante e depois do ato litúrgico.
MISSAL:
Livro que contém o ritual da missa, menos as leituras.
SANGUÍNEO:
Pequeno pano utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração.
OSTENSÓRIO ou CUSTÓDIA:
Objeto utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em procissão.
TECA:
Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir à Missa.
AMBÃO:
Estante onde é proclamada a palavra de Deus.
INCENSO:
Resina de aroma suave. Produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando as nossas preces e orações à Deus.
TURÍBULO:
Recipiente de metal usado para queimar o incenso.
 

Vestes Litúrgicas

 

TÚNICA ou ALVA: Geralmente de cor branca, é a veste dos acólitos e ministros eclesiásticos para as celebrações litúrgicas. AMITO:
Pano branco que envolve o pescoço do celebrante (veste-se antes da túnica ou da alva).
CASULA ou PLANETA: Traje usado (sobre a túnica e a estola) pelo sacerdote durante as ações sagradas, geralmente nas Missas, Domingos, solenidades e festas. ESTOLA:
Caracteriza os ministros ordenados.   Os diáconos usam no ombro esquerdo, como faixa transversal e pendente sobre os ombros pelos presbíteros e bispos.
OPA:
Roupa usada pelos ministros extraordinários da Eucaristia.

BATINA: Durante muito tempo foi a roupa oficial dos sacerdotes.

SOBREPELIZ: Veste branca usada sobre a batina, para substituir a alva.
(usada em procissões e na celebração de alguns sacramentos, como a confissão).

MITRA: Uma espécie de chapéu alto e pontudo usado pelos bispos (símbolo do poder espiritual).

DALMÁTICA: Roupa que o diácono usa sobre a alva e a estola. Veste litúrgica superior do diácono.

CAPA PLUVIAL OU MAGNA: Usada pelo sacerdote sobre os ombros durante as procissões, no casamento, batismo e bênção do Santíssimo.

VÉU DE OMBROS ou VÉU UMERAL: Usado pelo sacerdote ou diácono na bênção do Santíssimo e nas procissões para levar o ostensório.

CÍNGULO: Cordão utilizado na cintura.

CAPINHA: Utilizada pelas senhoras que exercem o ministério extraordinário da comunhão.

SOLIDÉU: Um pequeno barrete em forma de calota, usada pelos bispos sobre a cabeça.

PLUVIAL: Antiga capa de chuva usada pelos sacerdotes durante a procissão.